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O silêncio

Como é um dia na quinta

O círculo de meditação da Casa Lotus Azul, tambor e vela

Resposta curta — O dia começa com uma meditação guiada ao nascer do sol e termina com uma segunda ao fim da tarde. Pelo meio: refeições em silêncio, tempos em grupo, tempos para si, e períodos de trabalho pessoal guiado.

Quer saber como serão os seus dias antes de reservar. É legítimo: três dias num lugar que não conhece, sem falar, merece ser imaginado com antecedência.

A maioria dos sítios responde com um horário ao quarto de hora. Não o vamos fazer, e a explicação desta recusa é provavelmente mais útil do que o próprio horário.


Porque não publicamos horários

Um programa fixo lê-se bem. Tranquiliza, dá a impressão de um lugar organizado. Mas cria um problema que ninguém menciona: obriga a cumpri-lo.

Quando um grupo está à vontade logo no primeiro dia, pode prolongar-se um tempo de prática que, no papel, devia durar quarenta minutos.

Um acompanhamento que se ajusta vale mais do que um horário cumprido. Isto é verdade em três dias como em dez.

Não significa que não haja enquadramento. Há um, e é firme no essencial: o silêncio, as refeições, as duas meditações diárias, a compreensão de si mesmo.


O ritmo de um dia

Ao nascer do dia

O dia começa por uma meditação guiada, antes do pequeno-almoço. É o momento em que o silêncio é mais denso — a noite preparou-o, e ninguém tem ainda nada a dizer.

É guiada em voz alta, o que a torna acessível mesmo a quem nunca meditou. Não precisa de saber nada de antemão.

De manhã

Depois do pequeno-almoço vem um tempo mais longo, em grupo. A forma varia: uma prática sentada, uma caminhada, trabalho na horta, por vezes nada disso.

É aqui que o ajuste de que falávamos ganha sentido. A manhã do segundo dia nunca se parece com a do primeiro.

As refeições

São tomadas em silêncio, e é frequentemente a surpresa mais marcante dos primeiros dias.

Sem conversa, mastiga-se mais devagar. Distinguem-se os ingredientes. Para-se quando já não se tem fome, em vez de acabar o prato por hábito. Vários participantes dizem ter mantido essa forma de comer muito depois do regresso.

A cozinha é vegetal, preparada no local a partir da horta. As suas restrições alimentares são tidas em conta: diga-nos antes da sua vinda.

À tarde

Uma atividade de grupo, e uma orientação. Depois ler, dormir, caminhar, sentar-se junto ao rio, receber um tratamento.

Não é enchimento retirado do programa: é um tempo de latência querido. Um retiro em que cada hora está ocupada não é um retiro, é um seminário.

Muitos adormecem na tarde do primeiro dia. É um sinal, não um problema.

À noite

Uma segunda meditação guiada, depois o jantar e deitar cedo.

Sem ecrãs nem conversa, o cansaço chega naturalmente por volta das nove. Muitos dormem nove ou dez horas logo na primeira noite — é um dos efeitos mais constantemente relatados.


O que muda de um dia para o outro

O primeiro dia serve para chegar. O corpo ainda está na viagem, a mente nos assuntos pendentes. Instala-se, descobre-se o lugar, percebe-se onde estão as coisas. Muitos perguntam a si próprios, ao pousar a mala, o que estão ali a fazer.

O segundo é muitas vezes o mais desconfortável. A mente esgotou as distrações: faz listas, repete conversas, aborrece-se. É aí que o acompanhamento cumpre o seu papel.

O terceiro é aquele em que algo se deposita, na maioria dos participantes. A mente deixa de comentar. É também por isso que um retiro mais curto termina mesmo antes do momento interessante.


O que é fixo e o que não é

Fixo O silêncio entre participantes · As duas meditações diárias · As refeições em comum
Variável A duração das práticas · As atividades da manhã e da tarde · O momento dos tratamentos · O ritmo geral, conforme o grupo

O silêncio, na prática

O silêncio praticado aqui é o silêncio nobre: não se fala entre participantes, mas pode dirigir-se à Fabiana, por escrito. É o princípio mesmo do acompanhamento.

Não é uma regra absoluta. Se algo subir, se precisar de depositar duas frases, fá-lo. O silêncio é um enquadramento, não uma prova.

Pode escrever, ler, caminhar sozinho. O telemóvel é entregue à chegada e devolvido no fim; fica disponível um número para os seus próximos em caso de urgência.

O que o silêncio retira não é a palavra: é a obrigação de responder.

O que o silêncio traz: uma tomada de consciência.


O que fará com as mãos

Uma pergunta surge frequentemente: «mas o que se faz, concretamente?»

Caminha. O jardim tem um hectare, o rio corre em baixo. Senta-se algures e não sai dali durante uma hora, e depois chega o momento de trabalho em grupo ou individual. Escreve as suas sensações, o que sobe à sua consciência — aconselhamos cada pessoa a trazer um pequeno caderno de notas.


As questões práticas

Os quartos ficam na Quinta Lotus Azul, um edifício de pedra renovado. As meditações e as refeições decorrem na Quinta Maria da Paz, a poucos passos.

O grupo tem oito pessoas no máximo. Acima de uma dezena, o acompanhamento torna-se coletivo e deixa-se de ver os indivíduos.

Antes da sua vinda, conversamos — geralmente por WhatsApp. Não é uma formalidade: é aí que se verifica em conjunto se o momento é o certo, e onde pode colocar as suas perguntas antes de o silêncio começar.

À chegada, fazemos o ponto das suas motivações.


Uma precaução

O silêncio retira as distrações que habitualmente mantêm certas coisas à distância. Acontece por isso que uma tristeza antiga, ou uma decisão adiada, subam ao longo desses três dias. É frequente, e é muitas vezes aquilo por que as pessoas vieram.

Se atravessa um luto recente, uma separação ainda viva ou um período de fragilidade psicológica, fale com um profissional de saúde antes de reservar.


O nosso retiro «Regresso a Si»

Três dias, oito pessoas no máximo, em pleno Minho — a vinte minutos de Braga e às portas do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Duas meditações guiadas por dia, uma cozinha vegetal da horta, um hectare de jardim e um rio. A Fabiana acompanha retiros há vinte e sete anos, da Guadalupe à Costa Rica antes de Portugal.

360 € por pessoa, tudo incluído.


Perguntas frequentes

A que horas começa o dia? A primeira meditação é ao nascer do dia, antes do pequeno-almoço. A hora exata varia com a estação e com o grupo: não a fixamos com antecedência.

Tenho de participar em todas as atividades? Não. É convidado, nunca obrigado. Alguns participantes saltam uma prática para dormir ou caminhar, e não há qualquer problema.

O que se faz nos tempos livres? Caminhar, ler, escrever, dormir, sentar-se junto ao rio, receber um tratamento.

As refeições são mesmo em silêncio? Sim, e é muitas vezes a experiência mais marcante dos primeiros dias. Redescobre-se o sabor dos alimentos e a refeição abranda por si.

Pode falar-se se for preciso? Com a Fabiana, sim. O silêncio diz respeito às trocas entre participantes; nunca tem por objetivo deixá-lo sem recurso.

Pode ter-se o programa detalhado antes de vir? Não publicamos nenhum, deliberadamente. O enquadramento é fixo — duas meditações, refeições em silêncio, tempos livres, as atividades previstas — e o desenrolar ajusta-se às pessoas presentes. Saberá todos os dias o que está previsto para o seguinte.

Há ioga? Não sistematicamente. As práticas da manhã variam conforme o grupo e o momento. Se procura um retiro centrado no ioga, não é o nosso formato.

E se me aborrecer? Acontece, geralmente ao segundo dia, e é uma etapa que a maioria dos participantes atravessa. O aborrecimento é o que resta quando as distrações param, e precede muitas vezes o que se deposita a seguir.


Uma dúvida sobre o desenrolar, ou sobre o momento certo? Escreva-nos por WhatsApp — respondemos a tudo, incluindo quando a resposta é «agora não».

O nosso retiro «Regresso a Si»

Três dias em silêncio nobre, em grupo de oito pessoas no máximo, em pleno Minho. 360 € por pessoa, tudo incluído.

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