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O silêncio

Primeiro retiro de silêncio: 10 receios, e a realidade

O caminho empedrado do jardim da Casa Lotus Azul, ladeado de flores

Resposta curta — Os receios antes de um primeiro retiro de silêncio são sempre os mesmos: não aguentar, aborrecer-se, chorar à frente de toda a gente, meditar mal, ser julgado. A maioria dissipa-se ao segundo dia. Dois, porém, são fundados e merecem atenção: o receio de que algo doloroso venha ao de cima, e o de não estar no momento certo da vida. Este artigo retoma-os um a um, sem tentar tranquilizar a todo o custo.

Pensa nisso há semanas. Leu as páginas, viu as datas, e ainda não reservou.

Não é o preço que o retém, nem as datas. É uma série de pequenas perguntas que nem sempre se atreve a formular, e às quais nenhum sítio responde verdadeiramente.

Acolhemos primeiros retiros há vinte e sete anos. As mesmas inquietações regressam, quase palavra por palavra. Aqui ficam, com o que observamos realmente.


1. «Não vou aguentar três dias sem falar»

É o receio número um, e o que se dissipa mais depressa.

O silêncio não é um esforço de vontade sustentado durante setenta e duas horas. Ao fim de algumas horas, o reflexo de falar apaga-se sozinho — porque ninguém à sua volta fala também. O que exige esforço é calar-se num ambiente ruidoso. Num grupo em silêncio é o contrário: falar é que se tornaria incómodo.

A maioria dos participantes diz ter deixado de pensar nisso logo na primeira noite.


2. «Vou aborrecer-me»

Vai aborrecer-se, sim. Geralmente ao segundo dia.

Não vamos tentar dissuadi-lo, porque o aborrecimento não é um acidente de percurso: é uma etapa. É o que resta quando as distrações param, e precede quase sempre o momento em que algo se deposita.

Se preenchêssemos cada hora para evitar o aborrecimento, o retiro deixaria de ter sentido.


3. «Vou desfazer-me em lágrimas à frente de todos»

Acontece, com regularidade, e nunca como se imagina.

No silêncio, uma emoção que passa não pede comentário, nem consolo, nem olhar incomodado. Ninguém vem perguntar se está tudo bem. Ninguém conta a história ao jantar — não há «ao jantar» no sentido em que o entende.

Muitos descrevem isto como um alívio inesperado: chorar sem ter de explicar.


4. «Não sei meditar»

É precisamente por isso que as meditações são guiadas em voz alta.

Não precisa de saber nada, de preparar nada, de dominar postura alguma. Vai-lhe sendo dito o que fazer, e se a sua mente se dispersar durante oito minutos em dez, é normal — acontece a toda a gente, mesmo depois de anos de prática.

A ideia de que existiria uma forma correta de meditar, e de que poderia falhá-la, é o equívoco mais difundido sobre o assunto.


5. «Vou estar com gente estranha»

Vai estar com sete pessoas que, como o senhor, hesitaram durante semanas antes de reservar.

Os perfis são muito mais comuns do que se imagina: pessoas que trabalham demasiado, que saem de um período intenso, que precisam de parar. Não há código, nem vocabulário a dominar, nem nível espiritual a exibir.

E como ninguém fala, a questão do contacto social quase não se coloca.


6. «Vou ser julgado se fizer mal»

Não há nada a fazer corretamente, portanto nada a falhar.

Pode saltar uma meditação para dormir. Ficar sentado lá fora enquanto o grupo pratica. Não terminar uma caminhada. Estas escolhas fazem-se sem ter de dar explicações — é uma das vantagens concretas do silêncio.

O que observamos é antes o contrário: a maioria impõe a si própria um rigor que ninguém lhe pediu.


7. «Não vou suportar estar sem contacto com os meus»

O telemóvel é entregue à chegada e devolvido no fim. Mas fica disponível um número para os seus em caso de urgência — não desaparece.

Avise as pessoas próximas antes de partir: diga que estará incontactável, dê esse número, e explique que o silêncio não é indiferença. Isso resolve 90 % da inquietação, a sua e a deles.

A experiência da maioria é que, ao fim de algumas horas, a ausência do telemóvel deixa de ser uma privação para se tornar um descanso.


8. «Vou ter de partilhar o quarto»

Pergunta legítima, e a fazer a cada lugar antes de reservar.

Num retiro de silêncio, partilhar quarto é um assunto real: não pode conversar com a outra pessoa, ajustar horários em conjunto, ou desfazer um incómodo com uma conversa. Pergunte sempre quantos quartos individuais existem, não apenas a capacidade total.

Aqui, a Quinta Lotus Azul tem nove quartos e capacidade até onze pessoas.


9. «E se vier ao de cima algo doloroso?»

Eis um receio fundado, e não o vamos afastar.

O silêncio retira as distrações que habitualmente mantêm certas coisas à distância. Acontece por isso que uma tristeza antiga, uma raiva, ou uma decisão adiada subam ao longo desses três dias.

Não é um incidente: é muitas vezes aquilo por que as pessoas vieram. Mas explica por que o acompanhamento conta, e por que desaconselhamos um primeiro retiro sem enquadramento.

Em concreto, pode dirigir-se à Fabiana a qualquer momento, por escrito. Não é um recurso excecional: está previsto, e é utilizado.


10. «E se não for o momento certo para mim?»

A única pergunta desta lista à qual por vezes respondemos: não, não é o momento certo.

Um luto recente, uma separação ainda viva, um período de fragilidade psicológica: o silêncio não inventa nada, mas amplifica o que já lá está. Se está a ser seguido por um profissional de saúde, fale-lhe do seu projeto antes de reservar.

É também por isso que falamos com cada pessoa antes da vinda. Não é uma formalidade comercial: é aí que se verifica em conjunto se o momento é o certo. Já aconselhámos alguém a esperar alguns meses.


O que os participantes dizem depois

Três observações regressam quase sempre, e nenhuma consta da lista de receios.

«Dormi como não dormia há anos.» Sem ecrãs nem conversa à noite, o cansaço chega naturalmente por volta das nove.

«Não pensava que comer em silêncio mudasse fosse o que fosse.» É muitas vezes a surpresa mais marcante — e uma das poucas coisas que as pessoas levam para casa.

«O regresso foi mais duro do que o retiro.» Se puder, reserve um dia de folga antes de voltar ao trabalho.


O nosso retiro «Regresso a Si»

Três dias, oito pessoas no máximo, em pleno Minho — a vinte minutos de Braga e às portas do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Duas meditações guiadas por dia, tempos de trabalho pessoal, uma cozinha vegetal da horta. A Fabiana acompanha retiros há vinte e sete anos, da Guadalupe à Costa Rica antes de Portugal.

360 € por pessoa, tudo incluído.


Perguntas frequentes

É preciso já ter meditado para um primeiro retiro? Não. As meditações são guiadas em voz alta, precisamente para que principiantes possam seguir. É até um dos interesses do formato acompanhado.

Quanto tempo deve durar um primeiro retiro? Três dias. É o mínimo para que o silêncio produza efeito, e curto o bastante para caber num fim de semana prolongado. Os formatos de dez dias não são aconselháveis para começar.

Pode falar-se se for preciso? Com quem acompanha, sim, e por escrito se preferir. O silêncio diz respeito às trocas entre participantes; nunca tem por objetivo deixá-lo sem recurso.

O que acontece se quiser sair antes do fim? Sai. Um lugar sério não o reterá nem o fará sentir que falhou. Se insistirem para que fique, é um sinal de alerta.

É religioso? Não. A prática vem de tradições espirituais, mas não se exige adesão a qualquer crença.

Quantas pessoas no grupo? Oito no máximo entre nós. Acima de uma dezena, o acompanhamento torna-se coletivo e deixa-se de ver os indivíduos.

Como saber se estou preparado? O melhor indicador é a conversa com o lugar antes de reservar. Descreva onde está; alguém com experiência saberá dizer-lhe se aconselha vir agora ou esperar.


Uma pergunta que não abordámos, ou uma dúvida sobre o momento certo? Escreva-nos por WhatsApp — respondemos a tudo, incluindo quando a resposta é «agora não».

O nosso retiro «Regresso a Si»

Três dias em silêncio nobre, em grupo de oito pessoas no máximo, em pleno Minho. 360 € por pessoa, tudo incluído.

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